segunda-feira, 9 de maio de 2011

Até a RAPA (Martha Medeiros)

Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40 graus, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Pois metade deste povaréu sofre de dor-de-cotovelo.

Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos têm um amor mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação.

Por que isso acontece? Eu tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórica no assunto. Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim.
Você sabe, o amor acaba.

É mentira dizer que não. Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: amizade, parceria, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor foi devorado até a rapa.

Dor-de-cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia, sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade. É preciso passar por todas as etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.

Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estar aberto para novos amores.

Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez.

Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo.

Isso é que libera a gente para ser feliz de novo.
Martha Medeiros

A Arte de Amar (Manuel Bandeira)

"Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não."

domingo, 8 de maio de 2011

TOP 5

TOP
5
AS 5 MELHORES COISAS SIMPLES DO MUNDO
5 Pão francês fresquinho com manteiga Aviação.
4  Ovo frito, gema mole por cima de arroz quentinho.
3 Lençol branco de algodãocheirando a flor de alfazema.
2 Receber carta com selo.
1 Dar três espirros seguidos.
 
 
  
AS 5 MELHORES FRASES DE DERCY GONÇALVES
 
 
5 Eu só vou morrer quando eu quiser! Não programo morte, eu programo vida!
4 Ninguém me criou. Aprendi como as galinhas, ciscando. O que não me fazia sofrer eu achava bom.
3 Deus nunca foi um pai para mim. Deus é meu amante.
2 Eu sou a Dercy Gonçalves e você não vai me assaltar, porra.
1 Não saio sem dentadura, pestana e peruca
 
 
AS 5 PIORES EXPRESSÕES-SEM-SENTIDO
 
5 Um beijo no coração
4 Correr atrás do seu sonho
3Até porquê...
2 Yes, we can!
1 Com certeza!
 
 AS 5 MELHORES EXPLICAÇÕES DE ADRIANA FALCÃO
5 Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
4 Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
3 Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
2 Paixão é quando apesar da placa “perigo” o desejo vai e entra.
1 Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
 
 AS 5 MELHORES FRASES DE HOMER SIMPSON
  
5  Por favor, não me coma! Eu tenho mulher e filhos. Coma eles!
4 Não vamos entrar em pânico: vou conseguir dinheiro vendendo um de meus fígados. Posso viver com um só.
3 A vingança é um prato que se come três vezes ao dia.
2Eu não bebo água. Os peixes transam nela.
1 Por que eu tive que nascer pai?
 
 AS 5 MÚSICAS BRASILEIRAS MAIS TRISTES
5 Valsinha  valsinha.chico
4 Juízo Final  juizofinal.nelson
 3 Pra dizer adeus pradizeradeus.nana
2 Assum Preto assumpreto.gal
1 Pedaço de Mim  pedaçodemim.zizi
 
 OS 5 MAIS INCRÍVEIS PALÍNDROMOS
 

5 morram após a sopa marrom.
4 o romano acata amores a damas amadas e roma ataca o namoro.3 ze de lima, rua laura mil e dez.
2  ramon: 'atira o remo, homero, à rita, no mar!  
1 luza rocelina, a namorada do manuel, leu na moda da romana: anil é cor azul.
 
  
OS 5 MELHORES POEMAS CURTOS DE MARTHA MEDEIROS
 
5 Quando dou pra ti
sou mulher.
 Quando dou por mim,
solidão
 
4 Espelho, espelho meu
existe no mundo alguém
que reflita mais do que eu?
 
3 O que uma guitarra faz
  nenhum rapaz comigo já fez.
 
2 Mesmo tendo juízo
não faço tudo certo.
Todo paraíso
precisa um pouco de inferno 
 
1 Fica o dito
pelo maldito
 
 
AS 5 MELHORES FRASES DE GROUCHO MARX
 
 
5 O casamento é a principal causa do divórcio.
4 Estes são meus princípios. Se você não gosta deles, tenho outros!
3 Nunca me esqueço de um rosto, mas, no seu caso, vou abrir uma exceção.
2 Você prefere acreditar em mim ou em seus próprios olhos?
1 Por que eu deveria me preocupar com a posteridade? O que ela já fez por mim?
 
 
 
AS 5 MELHORES FRASES EM LATIM SELVAGEM PARA O CARNAVAL
Criação de Xico Sá
5 Urge copulatum ad empacotum est: vai comer aqui ou quer que embrulhe?
4 Caprina sine puditia: cabra sem-vergonha!
3  Orificium beborium proprietarium nulus: c... de bêbado não tem dono.
2  Tridum momescum finutum est: pra tudo se acabar na quarta-feira.
1Vedi, vini; nulus copulatum: e não comemos ninguém!
 
Moema Cavalcanti


Carrego comigo (Drummond)

Carrego comigo
há dezenas de anos
há centenas de anos
o pequeno embrulho
Serão duas cartas?
Será uma flor?
Será um retrato?
Um lenço talvez?
Já não me recordo
onde o encontrei
se foi um presente
ou se foi furtado
Se os anjops desceram
trazendo-o às mãos
se boiava no rio
se pairava no ar
Não ouso entreabrí-lo
que coisa contém
ou se algo contém
nunca saberei
Como poderia
tentar esse gesto?
O embrulho é tão frio
e também tãio quente
Ele arde nas mãos
é doce ao meu tato
pronto me fascina
e me deixa triste
Guarda um segredo
em si e consigo
não querer sabê-lo
ou querer demais
Guarda um segredo
de seus prórpios olhos
por baixo do sono
atrás da lembrança
A boca experiente
saúda os amigos
mão aperta mão
peito se dilata
Vem do mar o apelo
vêm das coisas gritos
o mundo te chama:
Carlos! Não respondes?
Quero responder
a rua infinita
vai além do mar
quero caminhar
Mas o embrulho pesa
vem a tentação
de jogá-lo ao fundo
da primeira vala
Ou talvez queimá-lo.
Cinzas se dispersam
e não fica sombra sequer
nem remorso
Ai fardo sutil
que antes me carregas
do que és carregado
Pra onde me levas?
Por não me dizes
a palavra dura
oculta em teu seio
carga intolerável?
Seguir-te submisso
por tanto caminho
sem saber de tí
senão que te sigo
Se agora te abrisses
e te revelasses
mesmo em forma de erro
Que alívio seria!
Mas ficas fechado.
Carrego-te à noite
se vou para o baile
De manhã te levo
para a escura fábrica
de negro subúrbio
És de fato, amigo
secreto e evidente
Perder-te seria
perder-me a mim próprio
sou um homem  livre
mas levo uma coisa
Não sei o que seja
eu não o escolhi
jamais a fitei
mas levo uma coisa
Não estou vazio
não estou sozinho
pois anda comigo
algo indescritível

São descrições do ato de escrever

"Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias." (Pablo Neruda)
"Escrever é, simplesmente, uma maneira de falar sem que nos interrompam." (Sofocleto)
"É preciso escrever o mais possível como se fala e não falar demais como se escreve." (Sainte-Beuve)
"O ato de escrever é a arte de sentar-se numa cadeira." (Sinclair Lewis)
"Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não." (José Saramago)
"Escrever é ter coisas para dizer." (Darcy Ribeiro)
"Perdoe-me, senhora, se escrevi carta tão comprida. Não tive tempo de fazê-la curta." (Voltaire)
"Reescrevi 30 vezes o último parágrafo de 'Adeus às Armas' antes de me sentir satisfeito." (Ernest Hemingway)
"Uma história se conta, não se explica." (Jorge Amado)
"Escrevo para que meus amigos me amem ainda mais." (Gabriel García-Márquez)
"Quem não lê não escreve." (Wander Soares)
"Cada um escreve do jeito que respira. Cada um tem seu estilo. Devo minha literatura à asma." (Fabrício Carpinejar)
"Escrever é um ato de liberdade." (Martin Amis)
"Escrever é uma forma de a voz sobreviver à pessoa." (Margaret Atwood)
"De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo." (Monteiro Lobato)
"Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer é porque um dos dois é burro." (Mário Quintana)
"Existem três regras para escrever ficção. Infelizmente ninguém sabe quais são elas." (W. Somerset Maugham)
"O autor escreve apenas metade de um livro. A outra metade fica por conta do leitor." (Joseph Conrad)
"Corrigir uma página é fácil, mas escrevê-la, ah, amigo! Isso é difícil." (Jorge Luis Borges)
"Escrever não é fácil ou difícil, mas possível ou impossível." (Camilo José Cela)
"Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra." (Margaret Atwood)
"Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida." (Clarice Lispector)
"Para escrever bem é preciso uma facilidade natural e uma dificuldade adquirida." (Joseph Joubert)
"Escrever não é nada mais senão ter o tempo de dizer: estou morrendo." (Gaëtan Picon)
"Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes, outros para se perpetuar nos manuais de literatura ou conquistar posições e honrarias. Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever." (Lêdo Ivo)
"Escrever é sacudir o sentido do mundo." (Roland Barthes)

Os quatro fantasmas (Martha Medeiros)

Leiga, totalmente leiga em psicanálise, é o que sou. Mas interessada como se dela dependesse minha sobrevivência. Para saciar minha curiosidade, costumo ler alguns livros sobre o assunto, e outro dia, envolvida por um texto instigante – acho que da Viviane Mosé, que já foi mencionada nesta página anteriormente – me deparei com as quatro principais questões que assombram nossas vidas e que determinam nossa sanidade mental.

São elas:
1) Sabemos que vamos morrer.
2) Somos livres para viver como desejamos.
3) Nossa solidão é intrínseca
4) A vida não tem sentido.

Basicamente, isso. Nossas maiores angustias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com nossa finitude, com nossa liberdade, com nossa solidão e com a gratuidade da vida. Sábio é aquele que, diante dessas quatro verdades, não se desespera.

Realmente, não são questões fáceis. A consciência de que vamos morrer talvez seja a mais desestabilizadora, mas costumamos pensar nisso apenas quando há uma ameaça concreta: o diagnóstico de uma doença ou o avanço da idade. As outras perturbações são mais corriqueiras. Somos livres para escolher o que fazer de nossas vidas, e isso é amedrontador, pois coloca a responsabilidade em nossas mãos. A solidão assusta, mas sabemos que há como conviver com ela: basta que a gente dê conteúdo a nossa existência, que tenhamos uma vontade incessante de aprender, de saber, de se autoconhecer. Quanto à gratuidade da vida, alguns resolvem com religião, outros com bom humor e humildade. O que estamos fazendo aqui? Estamos todos de passagem. Portanto, não aborreça os outros e nem a si próprio, trate de fazer o bem e de se divertir, que já é um grande projeto pessoal 
.

Volto a destacar: bom humor e humildade são essenciais para ficarmos em paz. Os arrogantes são os que menos conseguem conviver com a finitude, com a liberdade, com a solidão e com a falta de sentido da vida. Eles se julgam imortais, eles querem ditar as regras para os outros, eles recusam o silêncio e não vivem sem aplausos e holofotes, dos quais são patéticos dependentes. A arrogância e a falta de humor conduzem muita gente a um sofrimento que poderia ser bastante minimizado: bastaria que eles tivessem mais tolerância diante das incertezas.

Tudo é incerto, a começar pelo dia e a hora da nossa morte. Incerto é nosso destino, pois, por mais que façamos escolhas, elas só se mostrarão acertadas ou desastrosas lá adiante, na hora do balanço final. Incertos são nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando só. Enfim, incerta é a vida e tudo o que ela comporta. Somos aprendizes, somos novatos, mas beneficiários de uma dádiva: nascemos. Tivemos a chance de existir. De se relacionar. De fazer tentativas. O sentido disso tudo? Fazer parte. Simplesmente fazer parte.

Muitos têm uma dificuldade tremenda em aceitar essa transitoriedade. Por isso a psicoterapia é tão benéfica. Ela estende a mão e ajuda a domar nosso medo. Só convivendo amigavelmente com esses quatro fantasmas – finitude, liberdade, solidão e falta de sentido da vida – é que conseguiremos atravessar os dias de forma mais alegre e desassombrada